Mais Estado ou menos Estado não é mais a polêmica, o debate central, está superado. Depois das experiências neoliberais da década de 90 e da crise especulativa e imobiliária de 2008, quem ainda tem dúvida ou defende a ausência do Estado é porque não aprendeu a lição ou tem interesse político-ideológico e econômico nessa defesa. É o caso do PSDB e DEM no Brasil.domingo, 7 de fevereiro de 2010
Estado ou sociedade civil?
Mais Estado ou menos Estado não é mais a polêmica, o debate central, está superado. Depois das experiências neoliberais da década de 90 e da crise especulativa e imobiliária de 2008, quem ainda tem dúvida ou defende a ausência do Estado é porque não aprendeu a lição ou tem interesse político-ideológico e econômico nessa defesa. É o caso do PSDB e DEM no Brasil.PT, 30 anos!

O Partido dos Trabalhadores (PT) está fazendo trinta anos de história. Uma trajetória marcada pela construção do que chamamos ética da política (diferente de ética na política), ou seja, a opção pela crescente participação dos setores sociais que sempre estiveram alijados da cidadania. Nas fileiras do PT formaram-se lideranças procedentes de várias profissões e movimentos, como catadores de lixo, sem-tetos, sem-terras, pescadores artesanais, comerciantes, pequenos agricultores, educadores, ativistas gays, profissionais liberais, artistas, sindicalistas, etc. No partido estão as representações dos setores mais ativos da esquerda brasileira, desde as pastorais até os grupos revolucionários históricos. O tradicional e o novo se encontram no PT, sem obrigação de uma síntese, que elimine as divergências. Aliás, a vitalidade do partido está na sua diversidade. No PT, e não só nele, está o gérmen de uma sociedade que exige transformações profundas.
Desde 1530, quando começa a empresa lusitana de ocupar as terras “descobertas”, a política é monopólio dos setores abastados da sociedade. Pode-se dizer que antes de existir sociedade no Brasil (estrutura e identidade), já existia quem mandasse nela. Até o século XVII, os senhores de engenho “reinam” no Brasil, detendo o poder de vida e morte sobre índios, negros e agregados. Com o declínio econômico em Portugal, a partir do início do século XVIII, os brasileiros sofrem com a intensificação do parasitismo da metrópole e o fortalecimento do poder dos comerciantes portugueses. Os senhores de engenho, as oligarquias locais, tiveram que partilhar seu poder com a metrópole e seus funcionários, mas não perderam o lugar de principal força política. Formada por opressores locais ou estrangeiros, as elites, desde a colônia, sempre gozaram de privilégios e possibilidades quase infinitas de mando. Ocuparam os cargos e depois o Estado (em todos os seus estágios) como se estivessem administrando seus próprios fundos e propriedades.
Na classe trabalhadora, formada por índios, negros, mestiços e trabalhadores livres, em menor escala, grassavam a miséria, o trabalho forçado, a violência e a ausência completa de direitos políticos, econômicos e sociais. O quadro muda pouco em relação às condições de vida desses setores sociais, mesmo com o fim da escravidão, a chegada dos imigrantes, com a industrialização (século XX), entre outras mudanças estruturais. Mudam as formas de exploração, os locais onde ocorrem (crescendo os espaços urbanos), mas não muda o abismo social brasileiro. A classe trabalhadora é tutelada pelo Estado (leia-se, pelas elites), submetida à despolitização constante, ao controle ideológico por intermédio do favor e das relações de clientela. Nestes 509 anos houve rebeliões populares de todos os tipos, em todas as regiões do Brasil, sempre esmagadas pelas forças da reação elitista. E, apesar da ação sanguinária das oligarquias, pode-se afirmar que cada revolta deixava um resíduo importante na memória nacional.
É uma sociedade, portanto, autoritária, vertical, hierárquica, constituída por relações de mando e obediência. É uma sociedade que naturaliza as desigualdades. O Estado e as instituições reproduzem essas disparidades, quando não as promovem. O PT, dessa forma, nasce das contradições mais elementares da formação social brasileira, enfrentando e sendo parcialmente absorvido, como não poderia ser diferente, por essa realidade. Essa breve análise explica porque as transformações no Brasil são processos de longa duração, que esbarram em entraves muito poderosos, como os estamentos entranhados na máquina pública, que orientam seu funcionamento, organizam núcleos de resistência e reagem às mudanças. Explica também a cooptação de indivíduos ou grupos pela corrupção, visto que ética na política é uma postura individual. Além disso, essa configuração social torna impressionante a existência de um partido como o PT, com sua história, programa e democracia interna. As mudanças estão no começo, muitas serão sentidas somente nos próximos anos, como o Pólo Naval, mas já podemos afirmar que o Brasil está amadurecendo e, junto com ele, o PT.
Texto enviado para publicação no Jornal Agora, Rio Grande-RS.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Navegantes: festa católica em Rio Grande e SJN






Fotos: ARP
A maior de todas as batalhas, por Emir Sader
O maior debate contemporâneo, aquele que reaparece cotidianamente, que praticamente cruza todos os maiores problemas que enfrentamos, é o da solidariedade. O aspecto mais negativo do vendaval avassalador com que o neoliberalismo tratou de se impor em nossas sociedades é o egoísmo. Egoismo, individualismo, consumismo contra solidariedade, justiça, direitos – esta é maior batalhar ideológica e de comportamento, no Brasil e no mundo, atualmente.
As expressões da postura egoísta são muitas: FHC dizia que no Brasil haveria milhões de “inimpregáveis”, isto é, de gente - segundo essa visão – demais, que não cabem “no mercado” – que é o critério da direita para saber quem cabe e quem não cabe. A direita espanhola usa a frase “Não cabemos todos”, para tentar excluir aos imigrantes do alistamento nos serviços sociais.
Se trataria de governar para uma parte da sociedade – um terço, no máximo um pouco mais -, porque se fundam no critério do que cabe no mercado. Não pensam a sociedade como um todo, filtram o que o mercado torna possível, condenando o resto ao abandono.
No Brasil de hoje, um país inquestionavelmente menos injusto do que era antes do governo Lula, se deveria contar com amplo apoio na questão mais importante que o país enfrenta: de ser uma sociedade para todos. Não somos um país pobre, pelos padrões internacionais, mas somos o país mais injusto, do continente mais injusto.
Injusto, não pela miséria generalizada, mas pela distribuição de renda super desigual, entre os pólos de riqueza e de pobreza. O tema do “país para todos” deveria ser o critério essencial para definir a natureza do Brasil hoje, a quantas andamos, que futuro queremos para o país.
Porém é de temer que o critério da situação de cada um – especialmente nos setores de classe média – seja o essencial. Enquanto a economia crescer e atender as demandas de grande parte da população, as pessoas se sentem contentes, apóiam o governo Lula. Não parece que a extensão dos direitos aos até aqui sempre excluídos, os processos de distribuição de renda, o aumento sistemático do nível de emprego formal, entre outros aspectos inegavelmente positivos, sejam os critérios básicos para nortear o ponto de vista político das pessoas.
Para a direita, é claro, se trata de tentar impedir que esse processo prossiga. Seu maior fantasma é o de uma adesão duradoura do povo a projetos de justiça social. Ela se ampara no mercado e nos seus critérios seletivos e excludentes.
Para a esquerda, se trata de travar a maior de todas as batalhas: a luta pela construção de idéias solidárias, de fraternidade, de justiça, fundadas no direito de todos. Sem isso, se poderá avançar, conforme o sucesso econômico e a possibilidade de extensão do acesso a bens para todos. Porém, nosso critério tem que ser o da prioridade radical de incorporação aos direitos básicos dos pobres, da grande maioria, até aqui sempre marginalizada, do Brasil.
Ajudar a que tomem consciência dos seus direitos, de quem são seus inimigos, de como podem e devem se organizar para garantir seus interesses e a continuidade dos projetos que os beneficiam. Ajudar a que sejam o sujeito fundamental na construção de um país justo, solidário, para todos. Aí se joga o futuro do país: na superação do egoísmo, do consumismo, dos critérios de mercado, pelos de justiça, de solidariedade, de direito para todos.
Desempenho dos maiores títulos do Brasil caiu no ano de 2009
Caiu 6,9% a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros em 2009. Apenas seis conseguiram melhorar seus desempenhos de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). São eles: Daqui (31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Mantiveram-se estáveis Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico, que encerraram o ano passado com circulações bem próximas às do fechamento de 2008.
Onze títulos viram seus números encolherem durante 2009. Os dois que mais caíram foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro: O Dia (-31,7%) e Meia Hora (-19,8%). Também tiveram quedas Diário de S. Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%).
Não houve alterações significativas nas posições do ranking, a não ser a evolução contínua de títulos populares como o Dez Minutos, de Manaus, que estreia na 17ª posição, com média diária de 60 mil exemplares – não considerados na conta de queda de 6,9%, pois foi lançado no final do ano passado.
A liderança continua com a Folha de S. Paulo (média diária de 295 mil exemplares), seguida por Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar está O Estado de S. Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance (125 mil).
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Comentário sobre o FSM
Estou participando do Fórum Social Mundial 10 anos desde o primeiro dia (25/01) e as minhas impressões são conflitantes, quero compartilhar com meus amigos-leitores::: a questão positiva é que os debates continuam interessantes. E esse é o grande atrativo para mim. É verdade que algumas coisas são conhecidas, abordagens ouvidas em eventos anteriores, etc., mas sempre existe algum argumento ou pensamento que se pode aproveitar para outras oportunidades e reflexões. Por isso sempre é produtivo ouvir, ouvir e ouvir. Já pude assistir alguns nomes de peso, como David Harvey, referência na análise do império americano, Paul Singer e Márcio Pochmann. Sobre essas palestras vou escrever em breve. Ainda vou assistir Ladislau Dowbor, Boaventura de Souza Santos, Pepe Mujica e se conseguir Emir Sader. Além disso, encontrei um companheiro blogueiro que admiro muito e sou leitor assíduo, o Renato Rovai.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Para entender Rio Grande é preciso entender o Brasil
Estou lendo e relendo alguns clássicos da história e da filosofia brasileiras para entender as coisas que andei vendo nos últimos meses. Na minha cabeça, se entender como funciona a sociedade autoritária, sua formação e atual configuração posso compreender a política da cidade do Rio Grande. É a representação fiel do que Marilena Chaui chama de sociedade vertical, da tutela, da clientela e, portanto, autoritária.Lúcia Hippolito em momento Vanusa (bem feito!)

Altas fontes
Fiquei sabendo ontem, de altas fontes, que o presidente Lula anda de namorico com a ex-modelo Luiza Brunet, e que por isso seu casamento com Marisa está por um fio. Aliás, os dois já estariam separados.
Se for verdade, Cacau sai na frente de novo. Se for mentira, só o tempo dirá.
Afinal, se FHC teve dois filhos fora do casamento, Lula também tem que ter algo de sujo na sua vida matrimonial... Devagarinho essa pode ganhar força e virar manchete de jornalão. Aliás, veja a desfaçatez do colunista maldoso: se estiver certo que bom! se estiver errado, só o tempo dirá! Como assim? Não existe confirmação da estória? A informação das "altas fontes" não vai ser checada, como se faz no jornalismo sério? Quer dizer que a dúvida ficará pairando? Por que Luiza Brunet e não a Gisele? O que comprova Lula e Marisa estarem separados? Quanta desfaçatez.
